segunda-feira, 24 de junho de 2013

Povo nas Ruas e o Brasil acordou - Uma visão Kardecista

Difícil até buscar um título para este editorial, tamanha a variação de aspectos que podem ser atribuidos ao movimento iniciado à partir da indignação de alguns jóvens organizados entorno do movimento pelo passe livre.


Na medida em que a velocidade com que o número de manifestantes e cidades onde ocorreriam passeatas aumentavam, também a pauta de reinvindicações se diversificava, de comum, apenas o grito de cidania e a constatação da falta de conexão entre os diversos órgãos de estado e da população, pois fica evidente pelos cartazes que a quantidade de problemas e propostas justas é enorme.


Foto obtida do site Terra


Houveram partidos políticos que participaram das primeiras manifestações, mas logo quando todas as fatias da sociedade aderiram aos protestos, ali só havia um partido – o partido do Brasil – um partido suigeneris multifacetado que agrega desde os pacifistas até os aproveitadores de plantão que se escondidos no meio do movimento legítimo tratam de por para fora a raiva contida, destruindo o patromônio público e em uma minoria ainda mais radical praticando furtos.

De uma forma geral protesta-se contra a corrupção, contra a impunidade, contra os modelo político-partidário, contra a FIFA, mas ao mesmo tempo reinvindicando escolas, serviços públicos e hospitais padrão neste mesmo padrão, protestam claro, contra a alta da inflação, contra os gastos elevados e quem sabe superfaturados dos estádios novos ou reformados.

Somos contra o uso abusivo de violência popular e o ataque frontal ao estado de direito quando alguns pedem o impedimento de autoridades do executivo ou quando atacam direito do cidadão de ir e vir que estas manifestações provocam, mas ao mesmo tempo, ficamos felizes ao ver que o brasileiro tem sim uma tradição de luta por um país melhor, conforme comprova a nossa história repleta de revoltas, revoluções contra os mais variados tipos de desmando.

Os governantes sentiram o golpe, em todos os escalões e em todos os partidos políticos e estão anunciando medidas, reduzindo o preço das passagem num esforço de acalmar a população. Como sempre acontece, basta ver os movimentos iniciados na primavera árabe de 2011, é muito difícil prever o resultado de uma movimentação de massas sem uma liderança capaz de negociar, de representar os anseios populares, mas dá para imaginar que após um determinado tempo alguns partidos acabarão por se apoderar da lista de reivindicações e passarão a representar novamente a sociedade aliás papel que de verdade lhes cabe. Ainda que na história movimentos de massa que agitaram milhões de pessoas em geral duraram pouco tempo, ao menos antes do advento das redes sociais e da capacidade de comunicação via celular que hoje 100% da população dispõe.

As tentativas de invasão ao Congresso Federal e ao Palácio do Itamarati apesar de graves ataques à democracia, devem ter chacoalhado a estrutura morosa do poder, algo de bom em que pese a violência poderá sair de tudo isto,pricipalmente se o movimento seguir sem violência e com persistência, sem interromper a vida dos que estão tentando trabalhar, poderemos estar pela primeira vez neste século usando de toda a nossa capacidade individual política, onde cada indivíduo leva a sua idéia à frente.

Como Kardecistas progressistas não podemos nos calar, acreditamos na melhora da sociedade pela ação responsável, pela educação, pela atuação na sociedade, legitimamos o grito, mas pedimos cautela na ação, porque acima de tudo, precisamos respeitar o outro. Somos a favor da lei de Justiça e Caridade, mas não podemos aceitar a dormência do Judiciário, todo cidadão honesto gostaria de ver atrás das grades o mais rápido possível os poderosos sabidamente corruptos, a hora deles há de chegar, o tempo dos recursos se esgotará.

Quem sabe acordando a todos os brasileiros terminemos por mudar o país para melhor.

Minha Experiência no SBPE – Cláudia Régis Machado

Participei em quase todas as atividades possíveis nos diversos simpósios, na recepção, nos bastidores, coordenando mesas e, em 2009, pude participar de uma mesa que discutia o Modelo Kardecista proposto por meu pai, Jaci Régis. Em 2011, pela primeira vez, apresentei um trabalho sobre o Gabinete Psico-mediúnico do ICKS.


Foto: Jaci Régis X SBPE - Santos - 2007



Falar sobre o SBPE me remete a pensar no meu pai, na sua versatilidade, homem capaz de debater ativamente as suas ideias, inconformado com a velocidade das mudanças e, ao mesmo tempo, ser capaz de demonstrar uma ternura extrema, como no exemplo que vou fazer referência aqui.




Foto: XII SBPE - Santos - 2011 - Cláudia e Bruna Machado


Jaci Régis no X Simpósio Brasileira Pensamento Espírita, que aconteceu em Santos no ano de 2007, propôs uma vivência motivadora, para reflexão sobre nossa existência. Existência que tem dinâmica própria, com medos, alegrias, angústias, frustações, realizações, desejos e ansiedades e, mesmo assim, pode se transformar. Jaci dava como exercício amassar um papel e depois desamassá-lo, deixando-o o mais liso possível.


“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar. Num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo, tudo mundo o tempo todo no mundo.

Não adianta fugir nem mentir a si mesmo, agora, há tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre, como uma onda no mar.” – Lulu Santos



Embalados pela música de Lulu Santos que nos amplia os pensamentos, a imaginação e aviva os sentimentos, despertando e motivando a entrar no exercício que seguia em fechar a mão esquerda como um copinho de café e colocar a folha desamassada em cima e, com dedo indicador da outra mão formar um caule de flor. Depois, ajeitando para formarmos as bordas de uma flor, fazer o seu acabamento e, enfim, transformar o papel amassado em uma singela flor.


Tudo isso para mostrar-nos, concretamente, que o papel representa nosso comportamento, nosso caráter. Às vezes amassamos, confrontamos, entramos em conflito e parece que não tem mais volta.

Todavia, há sempre oportunidade de reverter e reiniciar.


E como se pode fazer uma flor, ainda que imperfeita, de uma folha amassada, podemos também transformar nossos comportamentos em algo melhor, mais satisfatório, mais recompensador.

O simpósio é sempre uma grata surpresa, assim como essa vivência que participamos.

Entre a quantidade de trabalhos que assistimos, estudamos e aprendemos em todos os simpósios realizados, há sempre novidades e atividades marcantes como esta relatada. Experiências como esta mostram como o simpósio é um momento rico em vários aspectos como: encontro com amigos, estudos, descobertas, aprofundamento, realidade, execução, realização, trabalho.


Um evento marcante tem se mostrado em todos estes anos de realização. Minha experiência dentro dos Simpósios é marcada por tudo isso, daí a sua importância. Por isso participo sempre e convido a todos a também VIVER OU REVIVER estes momentos.



quarta-feira, 19 de junho de 2013

Doutrina Kardecista – modelo conceitual faz 5 anos - Modelo proposto por Jaci Régis

Doutrina Kardecista – modelo conceitual faz 5 anos




Lançada por Jaci Régis em Maio de 2008, em formato brochura e produzido pelo ICKS, o Modelo Conceitual encontra-se à venda pelo investimento de R$ 10,00.

O material sacudiu os alicerces do movimento livre-pensador por assumir-se Kardecista e pós-cristão, sendo o marco de lançamento de uma corrente nova, renovadora, apartada do movimento espírita tradicional e, se um dia isto realmente acontecer, este documento terá que ser lembrado como o brado de liberdade. Jaci promoveu diversos debates com pensadores espíritas laicos no ICKS, em Santos, no CCEPA, em Porto Alegre, no CPDoc e também em uma edição do SBPE.



Jaci enviou seu material à CEPA propondo a sua discussão no âmbito da mesma, em um dos congressos organizados por esta instituição, tendo sido prontamente recusado, mas o impacto causado pela brochura foi tão grande que as ideias contidas em sua maioria foram incorporadas ao pensamento do nosso grupo, tendo sido este material usado como uma das bases para a Carta de Princípios da CEPA Brasil em Bento Gonçalves, em 2010. Acontecendo a mesma coisa no ICKS, em 2011, quando da elaboração de seus princípios norteadores, isto após a desencarnação de Jaci Régis, em dezembro de 2010.

O Jornal trimestral espírita catalão, Flama Espírita, vem analisando o texto completo desde 2010, já tendo percorrido 76% de seu conteúdo, e acreditamos que até o fim deste ano, David Santamaría terminará sua análise, e assim que estiver concluída, o blog do ICKS disponibilizará o conteúdo completo. Esta talvez fosse a maior aspiração de Jaci: que o texto fosse debatido, por isso dedicou o espaço deste jornal àqueles que assim o fizessem.

Histórico:

Maio de 2008 – Jaci Régis lança a brochura Doutrina Kardecista – Modelo Conceitual (reescrevendo o modelo espírita)

Junho 2008 – Régis apresenta em Porto Rico seu Modelo Conceitual, com muito sucesso, no XX Congresso Espírita Panamericano

Julho de 2008 – ABERTURA publica um artigo – Novo Modelo Conceitual, com depoimentos de espíritas que o leram – como Mario Horta e Gilberto Guimarães da Silva, de São Paulo (SP), José Aparecido Sanchez, de Jacarezinho, Gisela Régis, de Rio Claro e Ademar Arthur Chioro dos Reis, de Santos.

Novembro 2008 – ABERTURA publica Modelo Conceitual em Análise – após reunião onde foram convidados a debater o material no ICKS, Reinaldo Di Lucia, Alcione Moreno, Ricardo Nunes, Cláudia Régis Machado e Alexandre Machado, com a participação de Antonio Ventura, Arlete, Isabel Tavarez, Palmyra Coimbra Régis e José Alberto.

Dezembro de 2008 – ABERTURA publica a segunda reunião no ICKS para debater o Modelo, Doutrina Kardecista em debate, com a participação de Ademar Chioro dos Reis, Ciro Pirondi, Gilberto Guimarães. José Alberto, Jacira Jacinto da Silva, Jaílson Mendonza, Mauricy Antonio da Silva. Mauro Spínola e Roberto Rufo – neste grupo apenas Gilberto declarou-se religioso mas fez questão de participar da discussão. Neste momento, a grande rejeição estava no nome –doutrina Kardecista, posição que Ademar, Mauro e Jacira não nutriram simpatia. Hoje, passados cinco anos, fica claro que o nome pegou e é usado tranquilamente ainda que não tenha substituído a palavra Espiritismo.

Maio de 2009 – ABERTURA publica reportagem sobre a visita de Jaci Régis ao CCEPA – Centro Cultural Espírita Porto Alegre, onde estiveram presentes 20 pessoas de Porto Alegre, Florianópolis e Pelotas. Os comentários no geral foram muito positivos.

Junho de 2009 – a CEPA rejeita a proposta de Jaci Régis de que o novo modelo conceitual – reescrevendo o modelo espírita seja usado como base para um novo posicionamento da CEPA, nem consideraram necessária a constituição de uma comissão para análise do mesmo em que pese a admiração dos membros do conselho da CEPA pelo autor e pelo ICKS – deixa clara a CEPA que a atualização do pensamento espírita se dá pelos congressos e não por iniciativas individuais.

Julho de 2009 – O ABERTURA publica a resposta de Jaci Régis ao presidente da CEPA onde Jaci defende que “é natural que a atualização seja uma consequência de uma construção coletiva. Mas por que não pode partir de uma sugestão individual? A conclusão da atualização é coletiva, mas a iniciativa pode ser individual. Parece que assim tem sido a história do conhecimento humano ...”. Jaci assim não desiste, apenas muda o foco e prepara o lançamento de seu último livro – O Novo Pensar espírita, que mais tarde seria batizado de “Novo Pensar – Deus, Homem e Mundo”, à venda no ICKS por R$ 25,00.

Novembro de 2009 – O ICKS realiza o XI SBPE – uma mesa redonda é organizada para debater o Novo Modelo e Jaci Régis lança com muito sucesso o livro Novo Pensar – Deus, Homem e Mundo. Com a participação de Roberto Rufo, Cláudia Régis Machado e Eugenio Lara, Rufo afirma ser o Novo Modelo uma nova teoria do conhecimento ou epistemologia.

Respondendo a este desafio, o ICKS apresentará no XIII SBPE em outubro de 2013, uma análise epistemológica do que mais tarde Jaci chamaria de Ciência da Alma, que incorporaria ideias do Novo Modelo e Novo Pensar.

Destacaremos alguns pontos do modelo conceitual que se tornaram de domínio público e aceito pela maioria de nossa comunidade:

1 - Segundo o Espiritismo, não existem o céu, o inferno e o purgatório. Remendar pano velho com pano novo é incompatível, já disse Jesus de Nazaré. Anjo não pode ser sinônimo de Espírito Puro.

Diabo não pode ser justificado como condição de Espírito imperfeito ou obsessor. Purgatório não tem sentido na justiça divina, segundo o Espiritismo.



2 - O novo modelo começará por estabelecer que o universo não é estruturado, mas delineado. Seria, metaforicamente talvez, uma projeção da intenção divina, inteligência suprema e causa primária, centro ordenador e controlador, manifestado através da Lei Natural. Porque onde há Lei existe necessariamente controle.



3 - Neste modelo não existe espaço para a personalização do Ser Supremo, nem cabe o estabelecimento de atributos que o humanizariam, porque o paradigma disponível para pensar as virtudes é o humano.



A palavra delinear é bem clara, significa esboço, linhas gerais, marcos principais, e não um planejamento estrito, um mapa detalhado. É a mistura de determinação do reencarnante e do grupo em que se filia e o livre-arbítrio.

Não creiais, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. (...) Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus o prevê porque são úteis à tua depuração e à tua instrução. (859 a)



4 - Pelo novo entendimento a vida corpórea é um componente natural, desejado e necessário à evolução do Espírito. Numa visão dinâmica, contudo, concebemos a vida humana como um continuum existencial, através da vivência no plano extrafísico e no plano corpóreo, intermitentemente. Isso explica a realidade evolutiva das pessoas, em segmentos reencarnatórios. A pessoa humana possui uma biografia atemporal, em que experimenta uma extraordinária aventura de erro e acerto. Permanentemente inquietante e inquieta, sem correlação estrita com o tempo, mas desenvolvendo-se em seu próprio tempo.



5 - Encarnar e desencarnar é o motor básico da evolução do ser inteligente. A reencarnação é, pois, o instrumento básico da evolução do Espírito, desde as primeiras manifestações como Princípio Inteligente.



6 -No estágio evolutivo médio da humanidade terrena, o ponto de referência é a vida corpórea, onde ele elabora progressivamente sua identidade. Mas, como em todo o Universo, nesse aparente caos, a diretriz da Lei divina se estabelece seja pela hierarquização dos Espíritos, seja pelas pressões da realidade moral e intelectual que cada um desenvolve e vive. Todos seguem os rumos do produto de si mesmos. Embora numa visão genérica, o Plano Extrafísico de modo algum seja um lugar disciplinado, há, certamente, um centro coordenador, uma fonte dirigente que se manifesta sempre que solicitada ou quando necessário. Esse centro diretivo, constituído de Espíritos gabaritados atua, suplementa, buscando promover o equilíbrio pessoal e grupal.

Este modelo descarta totalmente a premissa da vida humana girando em torno da culpa e castigo.

O fluxo organizador e diretivo da Lei está “inscrito na consciência”, isto é, na formação da estrutura do corpo mental. Que significa isso? A Lei não é um discurso. É o conjunto de fatores que atuam sempre procurando a manutenção do equilíbrio. A Lei natural não é moral. O universo não tem propósitos restritos ou punitivos. Embora não haja possibilidade de entender todas as nuances da vida, nada na natureza autoriza o modelo de pecado e punição secular.



7 - Na visão evolucionista deste modelo não há lugar para um salvador. Mas positivamente tem lugar para as lições de Jesus de Nazaré. Nas suas lições Allan Kardec buscou a diretriz segura para o desenvolvimento ético e moral que o Espiritismo propõe.

Caráter, dor, prazer, desvios morais, perversões e santificações que definem o comportamento das pessoas foram desenvolvidos através das vidas sucessivas e por elas serão resolvidos.



8 - A reencarnação é uma aventura existencial.

Deixamos aqui o convite à leitura do Modelo Conceitual - entre em contato com o ICKS para saber como obter a sua cópia - ickardecista1@terra.com.br

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Opinião em Tópicos: Justiça não é vingança - Milton Medran Moreira

Justiça não é vingança



Em tempos de discussão sobre a redução da maioridade penal, chamou atenção depoimento com o título acima, publicado na Folha de São Paulo (28/4). Sua autora: a jornalista Luiza Pastor, 56. Ela foi estuprada quando tinha 19 anos por um menor com alentada folha policial que já fora detido várias vezes por fatos semelhantes. Levada por terceiros à delegacia, reconheceu o garoto delinquente, identificado como PS, e conheceu sua história: filho de uma prostituta, era criado pela avó, evangélica,“que tentara salvar-lhe a alma à custa de muitas surras”. A conversa que ouviu dos policiais foi de que não adiantava mantê-lo preso, coisa que, aliás, não fora pedida por ela. “Esse é dos tais que a gente prende e o juiz solta”, disseram, acrescentando: “O melhor mesmo é deixar ele escapar e mandar logo um tiro”. Não concordando com a solução, Luiza foi chamada de covarde e ainda teve de ouvir: “Se está com pena dele, vai ver que gostou!”.

Um destino implacável


Traumatiza com o fato, Luiza foi embora do país. Retornou depois de muitos anos. Agora, sempre que ouve falar em redução da maioridade penal recorda a história de PS, de quem nunca mais soube. Renova, então, a crença de que se o Estado não investir fortemente em educação dirigida a milhares de jovens em idênticas condições daquele, “teremos criminosos cada vez mais cruéis, formados e pós-graduados nas cadeias e ‘febens’ da vida”.

Se PS ainda vivesse, teria uns 50 anos, hoje. Mas, é quase certo que não vive mais. No Brasil, dificilmente alguém com seu perfil passa dos 30 anos. Morre antes, por doenças contraídas na cadeia, quando não abatido pela polícia ou em disputa com outros delinquentes.

A teoria e a prática


Teórica e tecnicamente, a redução da maioridade penal seria defensável. Um garoto de 15, 16 ou 17 anos, hoje, tem plena capacidade de entender o caráter criminoso de seus atos. Mas, na prática, de nada vai adiantar encarcerá-lo e submetê-lo às péssimas condições de nossos presídios, onde inevitavelmente se fará refém de bandos de experientes criminosos que comandam o ambiente prisional e coordenam, além de seus muros, a violência da qual todo o país se tornou igualmente refém. Sem qualquer possibilidade de aquisição de valores positivos que só o trabalho e a educação, desenvolvidos em ambiente minimante humanizado, poderiam lhes oferecer, esses garotos, que nem lar tiveram, simplesmente não têm chance de recuperação. A sociedade e o sistema os fizeram irrecuperáveis. E pena que não recupera é inócua. É vingança que nega a justiça.

Criminalidade e reencarnação


Numa concepção imediatista e materialista, a solução de “mandar logo um tiro”, sugerida pelo policial, poderia se justificar. À luz de um humanismo espiritualista, entretanto, estamos todos comprometidos uns com os outros. Criminalidade é doença da alma. E é contagiosa. O egoísmo de alguns, a injustiça social, o orgulho e a arrogância de tantos, a falta de solidariedade, são agentes desencadeadores do crime cujos efeitos atingem “culpados” e “inocentes”. Numa perspectiva imortalista e reencarnacionista, a ausência de políticas pedagógicas e de justiça social, no presente, assim como o exercício da vingança privada ou social, no lugar de uma justiça recuperadora, constituem-se em políticas a repercutirem negativamente nas sociedades do futuro. Adiar significa agravar. E já adiamos demasiadamente.

Artigo publicado em Maio no Jornal Abertura de Santos e no Jornal Opinião de Porto Alegre.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

O ICKS funciona na nova sede, por Redação

O ICKS começa a reforma da nova sede




A nova sede será no bairro Embaré, na Rua Paraguassú, 18 em Santos é claro, as obras de adaptação da casa, que durante muitos anos foi o consultório psicológico do Dr. Jaci Régis, esta sede nos foi doada pelo casal Jaci e Palmyra Régis ,com o objetivo de dar mais autonomia ao Instituto.

Nosso cronograma prevê o início das atividades na nova sede já em Julho. Aguardem a programação de inauguração.

Atualizando esta postagem, já estamos funcionando em nossa sede!


quarta-feira, 5 de junho de 2013

MINHA EXPERIÊNCIA NO SBPE – Mauricy Silva

O Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita para mim e, porque não dizer, para nós, que somos parte da equipe que o faz acontecer, é realmente um evento agradável, contagioso e que nos dá um prazer imenso. Ele é um encontro de companheiros que procuram dar cada vez mais vida ao Espiritismo Laico que teve sua origem, como afirmou Eugenio Lara no ABERTURA de abril, em meados dos anos 1980, com a chamada questão religiosa, que dividiu de modo definitivo o movimento espírita.




As lembranças são muitas e o que sempre me impressionou foi o propósito de manter a liberdade na apresentação dos temas dos trabalhos, e só rejeitar os trabalhos em que não eram espíritas.

O que também me deu muito prazer foram os Simpósio realizados em Cajamar, principalmente por estarmos todos juntos as 24 horas dos dias do evento, propiciando a interação de todos os participantes.

É um evento que exige muito trabalho e dedicação do grupo, pois acolhemos participantes do muitos lugares do Brasil, dos países vizinhos, da Europa e Estados Unidos. Porém, nos dá muito prazer e alegria quando vemos, no transcorrer da exposição dos trabalhos, a satisfação dos participantes e os comentários positivos de companheiros que acabam de assistir a uma apresentação.

O Simpósio é realmente um local onde os participantes tem total liberdade para apresentarem suas ideias e sentirem que estão sendo ouvidos, principalmente pelas perguntas e pelo esclarecimento dos detalhes que dão a possibilidade de complementar a apresentação.

Como estamos em ano ímpar, é ano do Simpósio.Já estamos em franca atividade de preparação, reservamos as acomodações no Hotel e estamos à disposição de todos para qualquer informação.

As inscrições estão chegando, esperamos os companheiros de sempre e estamos fazendo ampla divulgação do Evento para que este ano tenhamos um recorde de participantes.

Contamos com todos.

Para se inscrever no XIII SBPE que será realizado de 25 a 27 de outubro em Santos, vá ao link:
http://icksantos.blogspot.com.br/2012/12/voce-ja-pode-se-inscrever-no-xiii-sbpe.html

Venha nos encontrar no SBPE de Camila Regis
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Vida longa ao Simpósio de Eugenio Lara
http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8190435979242028935#editor/target=post;postID=1660154898898467355;onPublishedMenu=overviewstats;onClosedMenu=overviewstats;postNum=6;src=postname

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu sou di menor! - Reinaldo di Lucia

Aconteceu novamente mais um entre tantos: um crime bárbaro, daqueles que deixam em todos o sentimento nada agradável de raiva e, por que não, um desejo secreto de vingança. O clamor popular leva as autoridades a garantir que “medidas rápidas serão tomadas” e toda a polícia sai no encalço dos bandidos, presos logo em seguida – um pequeno bando, três ou quatro marginais. E, na hora, um deles se declara responsável pelo delito: um menor de idade.


A discussão sobre a redução da maioridade penal vem tomando corpo principalmente porque a situação acima descrita tornou-se um padrão: invariavelmente quem se apresenta como culpado tem menos de 18 anos e, portanto, não tem a mesma responsabilidade penal dos adultos. É um “menor infrator”, não um criminoso, e receberá a título de pena uma “medida socioeducativa” – no máximo será internado numa instituição para menores, na qual ficará por até três anos. Ao tornar-se maior de idade, estará novamente reintegrado à sociedade, sem ficha criminal.

A questão é polêmica e gera discussões acaloradas entre os partidários da redução e seus antagonistas. As argumentações são bastante fortes e podem ser facilmente encontradas – portanto, não vou discuti-las aqui. Mas parece claro que algo precisa ser feito, e rápido, na prática. A discussão teórica gira sobre três pontos principais.

A primeira delas é a questão social da violência: o menor de 18 anos, apesar consciente do erro de seu ato, pode ser responsabilizado por um crime, ainda que a ineficácia da ação governamental – que o privou de condições mínimas de desenvolvimento e educação – o tenha influenciado? E com isso, teríamos efetivamente uma redução na violência?

Em segundo lugar, a questão de como fazer com que os menores infratores cumprissem a pena. O sistema prisional brasileiro estaria mais adequado num filme de terror que na realidade de um país que deseja ser desenvolvido. Colocar um menor nesta situação não agravaria o problema?

Por fim, a proteção da sociedade. A cada crime que acontece sob responsabilidade de um “incapaz”, aumenta-se a sensação de insegurança geral. Em última instância, isto pode levar a uma escalada da violência, na medida em que a população pode procurar proteger-se e “fazer justiça” por conta própria.

Entendo a posição da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), quando disse que, com a redução da maioridade penal, "nós estaríamos como que renunciando a uma política estrutural de assistência aos adolescentes, resolvendo o problema da maneira mais fácil possível, mecânica e cômoda, pela simples redução da idade penal". Há, porém, um grave problema: na prática, essa política estrutural de assistência aos adolescentes não existe. E mesmo que iniciássemos agora políticas voltadas à educação e à melhoria das condições sociais, levaria entre 25 a 40 anos para que tais políticas tivessem o efeito esperado – desde que houvesse persistência em sua implantação, o que demandaria um acordo partidário em larga escala.

Mas, enquanto isso, a sociedade precisa ser protegida, mesmo porque, os donos da boca estão fazendo direitinho a parte deles. O garoto com o 38 na mão, atirando no policial, vira gerente – super plano de carreira. Eles aceitam a autoria de um crime, por mais hediondo que seja, pois sabem que a curta pena de três anos é apenas um estágio a cumprir na estruturada carreira do crime.